Brasil ganhou 7 mil novos milionários em 2017, diz estudo

Grupo dos que possuem fortuna elevada subiu para 171 mil pessoas no país, um avanço de 4,25% em relação a 2016.

Por Harlis Barbosa 03/07/2018 - 11:30 hs
Foto: Imagens extraídas da internet
Brasil ganhou 7 mil novos milionários em 2017, diz estudo
Imagens ilustrativas

 

Por Taís Laporta e Marta Cavallini, G1

 

Em 2017, 7 mil brasileiros entraram para o grupo dos que possuem fortuna acima de US$ 1 milhão, segundo um relatório sobre riqueza mundial da consultoria Capgemini antecipado para o G1. O número de milionários cresceu 4,25%, passando de 164,5 mil pessoas para 171,5 mil.

O estudo considera os chamados HNWIs (high net worth individuals, em inglês), que possuem patrimônio maior que US$ 1 milhão, excluindo a residência de moradia, artigos colecionáveis e bens de consumo duráveis.

Número de milionários no Brasil

Evolução ano a ano, em milhares

 

Somada, a riqueza deste grupo no Brasil foi de US$ 4,5 trilhões no ano passado, um crescimento de 8,2% em relação a 2016. Apesar disso, o crescimento das fortunas brasileiras desacelerou no último ano. Entre 2015 e 2016, o patrimônio dos super-ricos havia subido mais, em 12,7%.

O crescimento robusto do Brasil puxou o número total de super-ricos na América Latina, segundo o estudo da Capgemini. O continente concentra 28% da riqueza dos milionários, embora responda por apenas 8% do número de indivíduos nesta condição.

Enquanto isso, a desigualdade no país cresceu no 1º trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada em maio pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os 20% mais pobres tiveram queda real de 5% na renda média mensal, enquanto os 20% mais ricos tiveram aumento de 10,8%.

E o aumento das fortunas contrasta com o crescimento tímido da economia brasileira, que demora para se recuperar da recessão. O Produto Interno Bruto (PIB) saiu do vermelho em 2017, mas o crescimento foi de 1%, em valores correntes de R$ 6,6 trilhões.

Fortuna ultrapassa US$ 70 trilhões

Em todo o mundo, a riqueza dos HNWIs ultrapassou, pela primeira vez, US$ 70 trilhões, com um avanço de 10,6%, chegando ao sexto ano seguido de ganhos acumulados em 2017. Foi o segundo ano de crescimento mais rápido desde 2011, segundo o estudo.

Os maiores mercados ainda são compostos pelos Estados Unidos, Japão, Alemanha e China, representando 61,2% da população global de HNWIs em 2017 e respondendo por 62% dos novos HNWIs no mundo.

A Ásia-Pacífico e a América do Norte representaram 74,9% do aumento global da população de super-ricos (aumento de 1,2 milhão) e 68,8% do aumento da riqueza global dos HNWIs, de US$ 4,6 trilhões. A Europa cresceu 7,3% em riqueza deste grupo.


 Lista dos bilionários do Brasil ganhou 12 novos integrantes, aponta Oxfam.

 

 

Por Helton Simões Gomes, G1

Cinco bilionários brasileiros concentram patrimônio equivalente à renda da metade mais pobre da população do Brasil, mostra um estudo divulgado nesta segunda-feira (22) pela organização não-governamental britânica Oxfam antes do Fórum Econômico Mundial, que ocorre em Davos, na Suíça, nesta semana.

Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possuía 207,6 milhões de habitantes em 2017

A lista é encabeçada por Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G Capital, que possui participações nas empresas AB InBev (bebidas), Burger King (fast food) e Kraft Heinz (alimentos). Veja abaixo a lista:

1.              Jorge Paulo Lemann, 78 anos (3G Capital) - R$ 95,3 bilhões

2.              Joseph Safra, 78 anos (Banco Safra) - R$ 71,1 bilhões

3.              Marcel Herrmann Telles, 67 anos (3G Capital) - R$ 47,7 bilhões

4.              Carlos Alberto Sicupira, 69 anos (3G Capital) - R$ 40,7 bilhões

5.              Eduardo Saverin, 35 anos (Facebook) - R$ 29,3 bilhões

Para fazer seus levantamentos, a ONG britânica de combate à pobreza usa dados sobre bilionários da revista "Forbes", divulgados em agosto, e informações sobre a riqueza em escala global de relatórios do banco Credit Suisse.

·                   Super-ricos ficam com 82% da riqueza gerada no mundo em 2017, diz estudo

12 novos bilionários

No ano em que o mundo teve um acréscimo recorde de bilionários --um a cada dois dias --, o Brasil ganhou 12 novos integrantes. O grupo passou de 31 para 43 integrantes em 2017.

O incremento ocorre devido à volta de pessoas que já fizeram parte do seleto grupo, mas perderam dinheiro nos últimos anos, em meio à crise econômica no Brasil.

Voltaram a ser bilionários executivos como Ana Maria Marcondes Penido Sant’Ana (acionista da CCR), João Alves de Queiroz Filho (Hypermarcas), Rubens Ometto Silveira Mello (Cosan), Lina Maria Aguiar e Lia Maria Aguiar (Bradesco) e Maurizio Billi (Eurofarma).

O patrimônio somado desses indivíduos cresceu 13% em 2017 e chegou a US$ 549 bilhões.

Ricos x pobres

O ano no Brasil foi marcado, de um lado, pela retomada da economia e por sucessivas altas na cotação das ações listadas na bolsa de valores brasileira. Por outro lado, o desemprego que, apesar de estar caindo, continua alto e atinge 12,7 milhões de trabalhadores.

"O patrimônio no Brasil foi reduzido como um todo, mas quem perdeu mais era quem já não tinha muito", diz Rafael Georges, coordenador de campanhas da Oxfam.

Os mais ricos possuem mais ativos financeiros do que a média da população e se beneficiaram mais da maré positiva no mercado, diz Georges. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, acumulou valorização de quase 27% no ano passado.

O grupo do 1% reuniu no ano passado 44% da riqueza nacional, em linha com os anos anteriores.

Salário mínimo

Enquanto isso, encolheu a participação na renda nacional dos brasileiros que estão entre os 50% mais pobres. Passou de 2,7% para 2%.

"Com as pessoas se endividando, aquelas que têm alguma coisa para vender acabam vendendo para pagar dívida. Por isso, a retração na participação."

Para mostrar a distância entre o grupo no topo e o que está na base da escala econômica no Brasil, a Oxfam calculou que uma pessoa remunerada só com salário mínimo precisar trabalhar 19 anos se quiser acumular a quantia ganha em um mês por um integrante do grupo do 0,1% mais rico.