COLNIZA

MEIO AMBIENTE

País retrocede 13 anos em desperdício de água potável, diz Trata Brasil

Publicados

em

Ao avaliar os dados do Sistema Nacional de Informações de
Saneamento (SNIS 2019), divulgado nesta terça-feira (15/12), pelo Ministério do
Desenvolvimento Regional (MDR),
 o presidente do Instituto Trata
Brasil, Edison Carlos, alertou que os dados revelam um retrocesso de 13 anos no
desperdício de água potável. “O indicador aumentou de 2018 para 2019, quando
atingiu 59,3%, índice que não tínhamos desde 2007. O aumento das perdas é um
indicador clássico da ineficiência. Será preciso corrigir as estruturas antigas
para reduzir as fraudes. Esse recuo de 13 anos é um sintoma da falta de
investimentos em saneamento”, disse.

Segundo o SNIS 2019, a cobertura de redes de água potável do Brasil
alcançou 680,4 mil quilômetros em 2019, com 83,7% da população atendida, e a de
redes de esgotamento sanitário, 354,3 mil quilômetros, total de 54,1%. Em 2018,
o índice era de 53,2%. O levantamento, chamado Diagnósticos de Prestação dos
Serviços de Saneamento Básico 2019, foi realizado com base em informações de
10.229 empresas de água, esgotos, manejo de resíduos sólidos urbanos e drenagem
e manejo de águas pluviais de todo o país.

Para o presidente executivo do Trata Brasil, a publicação confirma o que
o instituto alerta há anos. “O avanço é muito lento. Se olhar o melhor
indicador, que é o de acesso à água potável, melhorou 0,1 ponto percentual de
um ano para outro. Ou seja, quem não tinha continua sem água”, disse. Na
coleta, a melhora foi de menos de 1 ponto percentual”, lamentou. O maior avanço
foi no tratamento da coleta, que passou de 46,3% para 49,1% entre 2018 e 2019.
“Mesmo assim, nem metade da população tem o serviço”, completou Carlos.

PUBLICIDADE

Ele alertou que, a julgar pelo ritmo de avanço, o país demoraria 40 anos
para atingir as metas de universalização que o novo marco do saneamento estipulou
para 2033: 99% de abastecimento de água e 90% de coleta de esgoto. “Os dados
reforçam a necessidade da lei. A nossa expectativa é de que só será possível
sentir efeitos do novo marco nos dados oficiais a partir de 2022”, destacou.

Isso porque será possível perceber o impacto dos leilões realizados este
ano no Mato Grosso, Maceió, Porto Alegre e algumas cidades do Espírito Santo.
“No ano que vem, a perspectiva é que Acre, Alagoas e Rio de Janeiro façam
leilões”, estimou. Em 2022, também termina o prazo para as empresas
concessionárias provarem sua capacidade de resolver os gargalos de
infraestrutura. “É a linha de corte que a lei traz”, lembrou.



Quadro ruim

No entender de Fábio Izidoro, sócio da área de infraestrutura do Miguel
Neto Advogados, o quadro ainda é ruim. “Precisamos de um período, apesar de o
meio ambiente não ter esse tempo, para colocar de pé os projetos que virão com
o novo marco. Os dados reforçam a necessidade de novas concessões e
privatizações”, avaliou.

O especialista ressaltou que a melhoria não será imediata, porque
depende de obras. “Para melhorar a infraestrutura, é preciso matéria-prima,
recursos e obras que não são fáceis de realizar, dentro de cidades adensadas,
fechar todas as saídas de esgoto diretas para rios e mares”. O horizonte de
melhoria, segundo ele, é de dois a três anos.

Izidoro chamou a atenção para detalhamento dos contratos a partir da
nova lei. “Há muita coisa a ser feita. Os índices de perdas mostram isso. Se o
objetivo do investidor é a universalização do saneamento, quanto mais coisa
tiver que fazer, mais alto será o investimento. Tudo isso precisa estar na
conta. Os player têm de mensurar todas as variáveis para entrar no negócio com
chance de mantê-lo em pé, com uma tarifa que garanta a viabilidade econômica
por 30 anos”, disse. “Não adianta vencer o mais barato e depois não
desempenhar, e ter de devolver a concessão.”

Renata Ruggiero, diretora presidente do Instituto Iguá, afirmou que os
dados não refletem o novo marco e que a lei cria duas condições favoráveis para
avançar no saneamento. “É preciso um volume muito grande de capital e o setor
público não tem, então abrir para o privado foi a saída. O ambiente jurídico
institucional ficou mais propício, com possibilidade de consórcios entre
municípios e de novos formatos”, disse.

Leia Também:  Lei proíbe a pesca e comercialização do Dourado por cinco anos no Estado

No entanto, na opinião da especialista, o marco deixa a desejar ao não
definir como atender as regiões rurais e favelas. “Nas localidades mais
afastadas, não se justifica ter um modelo igual ao das cidades”, assinalou.
Para esses contextos, o marco precisa reconhecer soluções descentralizadas,
conforme Renata. “O modelo tradicional também é difícil de aplicar em regiões
muito adensadas, como favelas, onde sistemas menores locais são mais viáveis.”

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

MEIO AMBIENTE

Políticos e analistas veem discurso vazio de Bolsonaro

Publicados

em

Foto Internet

As reações ao discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula de Líderes sobre o Clima foram quase imediatas. Especialistas e políticos apontaram inverdades nas declarações do mandatário e questionaram os compromissos firmados por ele, que destoam de postura tradicionalmente negacionista, desde que assumiu o governo, sobre preservação ambiental.

Para o diretor-executivo do WWF Brasil, Mauricio Voivodic, o país “sofre um processo contínuo de desmantelamento de políticas públicas direcionadas à preservação do meio ambiente” desde que o presidente iniciou o mandato. “A equipe do governo Bolsonaro parece agir em direção contrária aos interesses nacionais e de conservação do meio ambiente”, avaliou.

Voivodic também ressaltou que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, trabalha para diminuir a fiscalização e para desmantelar órgãos ambientais que combatem a ilegalidade. Nesse contexto, ele disse que Bolsonaro age como se a Amazônia fosse um refém, ao exigir pagamento de líderes para manter a floresta de pé.

Na opinião de Fabiana Alves, coordenadora de Clima e Justiça do Greenpeace, dar recursos ao governo brasileiro, que atua contra a preservação ambiental, seria um equívoco. “É impossível proteger a floresta dando fundos a alguém responsável por níveis recordes de desmatamento na Amazônia e violações dos direitos humanos”, destacou.

Leia Também:  Secretário de Meio Ambiente Fábio Vaz declara guerra ao Molusco (Caramujo Africano) em Colniza.

Já o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), coordenador da Frente Ambientalista da Câmara, comentou que o governo está sentindo a pressão internacional, o que justifica o tom mais moderado do discurso de Bolsonaro. “O governo está acuado no ponto de vista da questão ambiental. Nós estamos, há dois anos e quatro meses, num processo de desmonte de todas as políticas ambientais brasileiras. (…) Nosso desmatamento já é superior a um milhão de hectares/ano. Então, esse discurso moderado vem por conta das pressões internacionais que o Brasil sofre”, argumentou.

O senador Jaques Wagner (PT-BA), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Casa, também criticou a fala de Bolsonaro. “Enquanto o mundo se compromete com avanços na área ambiental, a fala do presidente na Cúpula do Clima foi vazia e carregada de mentiras. Além de não demonstrar qualquer compromisso com o meio ambiente, apresentou ações que não são do seu governo e mentiu sobre as taxas de desmatamento na Amazônia”, afirmou.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) elogiou a participação do mandatário. “Em excelente discurso para a Cúpula de Líderes sobre o Clima nos EUA, o presidente Jair Bolsonaro reafirma o papel de liderança do Brasil na conservação de seu bioma e o compromisso em eliminar o desmatamento ilegal até 2030. O Brasil está aberto à cooperação internacional”, ressaltou.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

COLNIZA

CIDADES

POLÍCIA

POLÍTICA

MAIS LIDAS DA SEMANA