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Coronavírus é mais letal para pacientes pretos e pardos

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O novo coronavírus não discrimina cor
ou classe social em relação ao contágio. No entanto, tende a ameaçar de forma
mais grave os carentes. Dados do Ministério da Saúde mostram que a Covid-19 é
mais letal entre negros e pardos. Dos hospitalizados com Síndrome Respiratória
Aguda Grave, 23,9% são dessa camada da população, mas eles chegam a representar
34,3% dos mortos por Covid-19. Já com a população branca, a situação é oposta:
o número de óbitos é menor do que o de internados. Eles representam 73% dos
hospitalizados e 62,9% das mortes. Segundo especialistas, a classe e a condição
social da população preta podem estar por trás da diferença nos números.

 

A clínica médica Patricya Tavares
acredita que a condição social dessa população influencia diretamente na
letalidade do vírus. “A gente ainda não sabe, de fato, por que essa letalidade
é maior em negros e pardos, mas essa população geralmente tem uma condição
social pior. É uma população, muitas vezes, subnutrida, que não faz
acompanhamento médico e tem mais chances de ter outras comorbidades”, alerta.

A profissional especializada em
longevidade explica que a maioria das vítimas ainda é branca porque o vírus foi
importado de outros países, e os dados ainda refletem isso. “Agora é que essa
doença está chegando às comunidades mais pobres e sabemos que, lá, fazer um
isolamento é complicado. São muitas pessoas vivendo na mesma casa, pessoas que
precisam trabalhar para comer, e são situações difíceis”, afirma. Um dos
cenários que mais preocupam especialistas começam a se confirmar na prática. No
Rio de Janeiro, várias comunidades carentes já registraram as primeiras mortes
por Covid-19.




Entre as maiores favelas do país, a
Rocinha, que abriga 100 mil habitantes, soma dois óbitos, além de 33 casos
confirmados pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro até ontem à
noite. A Cidade de Deus, cenário de livro e adaptação cinematográfica que
recebeu quatro indicações ao Oscar, também teve uma morte confirmada, além de
quatro casos.

Vigário Geral, comunidade com mais de
40 mil moradores na zona norte do Rio, contabiliza outras duas mortes pela
Covid-19 e seis casos confirmados. Também na zona norte carioca, Manguinhos tem
um óbito e nove moradores que testaram positivo. O estado do Rio de Janeiro
havia registrado, até ontem, 1.996 casos confirmados e 106 mortes.

“A gente sente muito medo, porque a
pandemia está cada vez mais perto, principalmente depois da confirmação de um
óbito aqui na Maré”, diz Pamela Carvalho, moradora, há 27 anos, da favela
Parque União, do conjunto de comunidades da Maré. O complexo, que abriga cerca
de 140 mil pessoas de 16 comunidades na zona norte do Rio de Janeiro, registra
uma morte pela doença e tem dois casos que testaram positivo.

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Pamela conta que a família toda está
muito impactada pela perda de um tio, que morreu há poucos dias com suspeita da
Covid-19. “Ele não mora aqui na Maré, mora em Inhaúma, também no Rio. Era um
homem negro, de 55 anos, e segurança. É um perfil racial e econômico das classes
mais baixas”, destaca.

 

Desafios

Entre os desafios de conter a alta
transmissão do novo coronavírus nas favelas está a ausência do poder público.
“Questões que são históricas nas favelas e periferias do Rio de Janeiro, como
casas geminadas, muitas casas dentro de um mesmo quintal, famílias com muitas
pessoas que residem em uma mesma casa com espaço físico pequeno”, lista Pamela.
O custo do álcool em gel ou mesmo a impossibilidade de algumas famílias terem
acesso a água e sabão em casa são apenas mais itens nesse longo rol. “São
desafios que foram apenas escancarados com a Covid-19, mas que a gente encara
desde sempre, enquanto morador de favela. As favelas são lugares onde os
direitos não são garantidos pelo poder público”, ressalta.

A população busca, então, compensar
essa ausência por meios próprios. Instituições e organizações da Maré têm
organizado campanhas de arrecadação de alimentos e itens de higiene e limpeza.
Elas também fazem faixas e circulam com carros de som para informar aos
moradores da favela sobre as pessoas que integram os grupos de riscos e as
medidas de prevenção aplicadas à realidade econômica e geográfica. “Mas a gente
continua tendo que demandar do poder público”, reivindica Pamela.

Uma dessas iniciativas é da
organização não governamental Redes da Maré, da qual ela faz parte. A Campanha
Maré diz NÃO ao Coronavírus, da ONG em parceria com outras instituições,
pessoas físicas e associação de moradores, arrecada doações para ajudar
mulheres chefes de família que ficaram sem renda devido ao isolamento social e
para fazer e distribuir quentinhas à população de rua.

O novo coronavírus começa a virar
realidade nas comunidades carentes de todo o Brasil. Em São Paulo, líderes
comunitários das favelas de Paraisópolis e Heliópolis relatam que a doença
também já chegou por lá, inclusive com mortes sob suspeita. No Distrito
Federal, há casos confirmados em Samambaia (16), Santa Maria (7), São Sebastião
(4), Sol Nascente (2), Paranoá (2), Itapoã (1) e Varjão do Torto (1).

A assistente social Jessika Araújo,
32 anos, vive no trecho 3 do Sol Nascente. Ela explica que os moradores da
região estão apreensivos, mas se preocupam mais em poder trabalhar. “É uma
comunidade carente e muitos dependem do trabalho para colocar comida em casa. É
complicado fazer um isolamento social aqui, porque começamos de trás para
frente. Vieram primeiro as pessoas para depois virem as coisas essenciais”,
pontua.

 

 

Profissionais de saúde vão ao
Amazonas 

O Amazonas é o estado que tem a maior
taxa de incidência da Covid-19 no Brasil: 287 por 1 milhão de habitantes.
Também concentra o maior número de casos e mortes da Região Norte. Até o
momento, são 1.206 pessoas diagnosticadas e 62 óbitos. Por isso, Manaus terá
auxílio do Ministério da Saúde. A capital do estado será a primeira a receber
ajuda dos profissionais que se cadastraram voluntariamente no programa Brasil
Conta Comigo, que tem o objetivo de colaborar com as ações de enfrentamento do
novo coronavírus. A chegada dos profissionais é esperada para hoje.

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Ainda em Manaus, está em implantação
um hospital de campanha para a população indígena, que representa 0,4% dos
óbitos do Brasil. O Ministério da Saúde também enviou 20 respiradores para a
capital, com o objetivo de ajudar a ampliar o número de leitos disponíveis.

O mais recente balanço da pasta,
divulgado ontem, mostrou que o Brasil tem 22.169 casos confirmados do novo
coronavírus e 1.223 mortos. De sábado para domingo, 1.442 pessoas foram
diagnosticadas e 99 óbitos, registrados. São Paulo (588), Rio de Janeiro (170)
e Pernambuco (85) continuam sendo os estados com o maior número de fatalidades
pela doença. Somente Tocantins não confirmou mortes pela Covid-19. Os dados,
divulgados sem a coletiva de imprensa, seguem o padrão e continuam crescendo em
todo o país.

A
Região Sudeste continua sendo a que mais tem casos confirmados, com 12.799
pacientes diagnosticados. Em seguida, estão Nordeste (4.246), Sul (2.159),
Norte (1.898) e Centro-Oeste (1.067). Os estados com maiores taxa de incidência
do novo vírus continuam sendo os mesmos já divulgados pelo ministério.
Amazonas, Amapá, Distrito Federal, São Paulo, Ceará e Rio de Janeiro têm taxa
de incidência 50% acima da nacional, que é de 105 casos por 1 milhão de
pessoas. 

Fonte:
Correio Brasiliense

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Cientistas Americanos descobrem superanticorpo capaz de matar variantes do coronavírus

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Molécula identificada em amostras sanguíneas de pacientes com covid é capaz de matar as variantes do Sars-CoV-2 e outros micro-organismos da mesma família. Descoberta pode ajudar no desenvolvimento de vacinas e tratamentos mais eficazes

Pesquisadores americanos descobriram um anticorpo que pode combater as variantes do Sars-CoV-2 e também outros coronavírus. Os especialistas identificaram a supermolécula de defesa do corpo ao avaliar amostras sanguíneas de indivíduos com covid-19 e testar, em laboratório, o desempenho dessas células protetoras. A descoberta foi publicada na revista Nature e pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos e vacinas mais potentes.

Diante do aumento de casos da doença causado pelo surgimento de variantes genéticas do novo coronavírus, os cientistas saíram em busca de uma célula imune mais potente, capaz de controlar as cepas mais transmissíveis. “Essas variantes carregam mutações no DNA que as fazem mais resistentes ao sistema de defesa do corpo. Um anticorpo ideal para combater o novo coronavírus precisa resistir a esse escape viral”, informam os autores do artigo, liderados por Tyler Starr, bioquímico e membro do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, nos Estados Unidos.

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Os cientistas examinaram 12 anticorpos, selecionados em uma pesquisa realizada por uma empresa de biotecnologia também estadunidense. Para proteger o corpo humano do vírus, as células de defesa se prendem a fragmentos do patógeno, impedindo, assim, que células sejam infectadas. “Esses fragmentos de proteína são chamados domínios de ligação ao receptor. Nós observamos como esse grupo de moléculas realizava essa tarefa”, relatam.

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Por meio de uma análise genética detalhada, os especialistas avaliaram o desempenho dos 12 anticorpos ao combater o novo coronavírus e também a capacidade das células de defesa de se ligarem a domínios de patógenos que fazem parte da mesma família do Sars-CoV-2, a sarbecovírus. Um dos anticorpos estudados, o S2H97, se destacou pela capacidade de aderência aos domínios de ligação de todos os sarbecovírus testados. A molécula de defesa foi eficaz também contra uma série de variantes do vírus da covid-19 em testes feitos com células humanas e ratos. “Esse é o anticorpo mais interessante que já descrevemos”, enfatiza Starr em uma entrevista à revista Nature.

 

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