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Variante Ômicron: Momento é de ‘apertar os cintos’, diz virologista

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Micrografia eletrônica de varredura de uma célula infectada com uma cepa variante das partículas do vírus SARS-CoV-2
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Micrografia eletrônica de varredura de uma célula infectada com uma cepa variante das partículas do vírus SARS-CoV-2

O brasileiro sentiu-se perto da “luz do fim do túnel” diante das flexibilizações pautadas pela queda nos índices da covid-19 no país. Mas agora, diante dos primeiros casos da variante Ômicron , detectada na África nas últimas semanas, cresce o receio de uma nova – e mais devastadora – onda de infecções no país.

Em entrevista exclusiva ao iG , o professor do Departamentamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), membro do Comitê Permanente de Enfrentamento do Novo Coronavóris da UFMG e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), o virologista Flávio Guimarães da Fonseca diz que é hora de atenção – de “apertar os cintos” e se manter aplicado nas medidas de prevenção.

Segundo o especialista, a variante apresenta pontos que a classificam como “bastante preocupante”: o fato de que ela deriva de outras linhagens que já circulavam na África, o que pode indicar uma evolução ao longo do tempo, e a a quantidade de mutações que ela apresenta.

“Ela tem uma constelação de mutações muito impressionante. Para efeito comparativo, a Ômicron tem na sua proteína de superfície, o principal alvo das vacinas, 32 mutações, quase o dobro da encontrada na Delta, que já é uma variante perigosa”, explica.

“Muitas dessas mutações são encontradas em outras variantes, e já são relacionadas ao aumento de transmissibiliade o aumento de resistencia à resposta imunologica gerada por vacina”, diz. “Essas mutações exclusivas da Ômicron, a gente ainda não tem muita ideia do que podem fazer. É meio que um momento de esperar, e apertar os cintos apertados para ver o que vai acontecer”.

O domínio da Ômicron sobre a Delta, que até então era predominante no continente africano, também é motivo de atenção.

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“Isso mostra que ela tem vantagens competitivas em relação à Delta, que já era perigosa. E isso está se confirmando pela rapidez com que ela se dissemina no mundo. Esses três pontos salientam o quanto essa variante é preocupante. Não devemos ter pânico, estimular pânico, mas temos que estar atentos”, alerta.

Enquanto muitos temem a volta das medidas mais restritivas de circulação, Guimarães diz que o avanço da vacinação é que separa o país de uma crise como a vivida em janeiro de 2021.

“Existe uma diferença fundamental entre o início de 2021 e agora: a cobertura vacinal. O Brasil do início de 2021 praticamente não tinha iniciado o programa de vacinação de forma intensa. Tanto que isso pode ser um dos fatores responsáveis por a [variante] Delta não ter causado o aumento de casos que vimos na Europa. Saímos de 0% de cobertura vacinal para mais de 60%. Isso pode fazer diferença e impedir que a gente tenha um comportamento epidêmico semelhante ao início desse ano, quando entramos em uma segunda onda vertiginosa com quase 400 mil mortos”, compara.

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“É improvável que isso aconteça, mas para que não aconteça, e para que a gente consiga seguir nesse rumo de controlar a epidemia, temos que seguir atentos, principalmente com as ações de vacinação, intensificar e aumentar a vacinação de reforço nos grupos que já podem receber a dose.

A receita para fugir da Ômicron, no entanto, permanece a mesma: usar máscara, evitar aglomerações mantendo o distanciamento social e fazer a higiene correta das mãos. “Temos que ficar atentos à essas regrinhas. A gente vinha discutindo [a liberação de máscaras], é natural, estamos todos cansados, todos querendo fazer Reveillón, carnaval, o problema é que a pandemia não foi vencida. E a variante surge para nos lembrar que ela não foi vencida. Não dá para jogar tudo por terra agora. Estamos muito perto de conseguir, realmente, contornar esse ano difícil. Precisamos manter a vigilância. Essa é a lição – e a missão – que temos agora.”

Fonte: IG SAÚDE

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Queiroga diz que não é ‘despachante da Anvisa’ e elogia ministério

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Queiroga se diz confiante com o trabalho do Ministério da Saúde
Reprodução: iG Minas Gerais

Queiroga se diz confiante com o trabalho do Ministério da Saúde

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, rebateu críticas sobre a demora para o início da vacinação de crianças contra a Covid-19 e sobre a gestão dele à frente da pasta. Na avaliação do cardiologista, a pasta não precisa seguir todas as determinações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As declarações foram dadas neste sábado em entrevista à imprensa em João Pessoa (PB).

“Quantos medicamentos, dispositivos ou produtos têm registro na Anvisa e não fazem parte das políticas públicas? O Ministério da Saúde, o ministro da Saúde não é um despachante de decisão da Anvisa, nem de agência nenhuma. O Ministério da Saúde é quem conduz a saúde pública e o ministro da Saúde é a principal autoridade do sistema de saúde no Brasil”, argumentou.

Sob críticas diante do atraso da imunização de crianças de 5 a 11 anos, Queiroga minimizou o caso. O ministério liberou a vacinação do público infantil em 5 de janeiro, 20 dias depois de a Anvisa ter autorizado a aplicação de doses pediátricas da Pfizer no grupo.

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“A história vai me julgar. Eu trabalho todo dia para que eu tenha um bom julgamento”, ponderou o ministro.

A crise entre a Anvisa, o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde tem escalado nos últimos meses. Tanto Queiroga quanto o presidente Jair Bolsonaro têm entrado em confito com o trabalho da agência, sobretudo após a liberação da vacina da Pfizer para crianças.

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Na última semana, o mandatário cobrou o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, para apresentar um “antídoto” para possíveis efeitos colaterais das vacinas no público infantil. Antes, Bolsonaro já havia questionado o interesse da agência em liberar o imunizante, já chancelado pelo Food and Drugs Administration (FDA), dos Estados Unidos, e por diversas socedades médicas.

Em carta, o contra-almirante da reserva rebateu suspeitas e pediu que o presidente apresentasse provas caso tivesse informações sobre eventuais ilegalidades ocorridas na agência. “Se o senhor dispõe de informações que levantem o menor indício de corrupção sobre este brasileiro, não perca tempo nem prevarique, Senhor Presidente. Determine imediata investigação policial sobre a minha pessoa aliás, sobre qualquer um que trabalhe hoje na Anvisa, que com orgulho eu tenho o privilégio de integrar”, escreveu.

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Vacinação de crianças

Davi Seremramiwe Xavante, de 8 anos, tem deficiência motora e foi a primeira criança vacinada contra a Covid-19 no Brasil na última sexta-feira. O garoto indígena recebeu a primeira dose do imunizante em um evento simbólico nesta sexta-feira no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

A primeira remessa de vacinas pediátricas da Pfizer, com 1,248 milhão de doses, desembarcou no Brasil na última quinta-feira. De acordo com o secretário-executivo da pasta, Rodrigo Cruz, o próximo lote de doses pediátricas, previsto para a próxima quinta, foi antecipado para este domingo. Ao todo, o ministério projeta a entrega, já confirmada pelo laboratório, de 4,3 milhões de imunizantes infantis em janeiro.

O ministéiro voltou atrás e desistiu de exigir prescrição médica para vacinar crianças. Conforme o anúncio da pasta, serão duas doses, com intervalo de oito semanas.

Fonte: IG SAÚDE

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